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Como saber se devo ir ao médico?

Os órgãos genitais externos femininos incluem os grandes e os pequenos lábios, o hímen e o clitóris.

Durante o processo de desenvolvimento pubertário, que assinala o início da adolescência, os órgãos genitais femininos estão sujeitos a uma série de alterações que resultam da libertação de hormonas (estrogénios, progesterona e androgénios) efetuada pelos ovários e glândula suprarrenal. Assiste-se ao aumento de volume dos grandes e pequenos lábios, ao crescimento dos pêlos e à produção de secreções a nível vaginal.

O desenvolvimento piloso efetua-se de uma forma progressiva e vai desde uma escassa quantidade de pelos finos até ao crescimento de pelos mais espessos na região púbica e parte interna das coxas. Por motivos estéticos por vezes opta-se por efetuar a sua remoção, existindo para esse fim uma série de técnicas de eficácia variável.Orgãos genitais da mulher

Alguns dos problemas relativos aos órgãos genitais externos são motivo de consulta de ginecologia salientando-se pela sua frequência a hipertrofia dos pequenos lábios, os quistos da glândula de Bartholin e as vulvovaginites.

A hipertrofia dos pequenos lábios pode ser considerada uma variante do normal, correspondendo a tecido excessivo nos pequenos lábios. Pode ser unilateral ou bilateral. Na maioria dos casos não é valorizado. No entanto pode dar origem a queixas de irritação local, infeções vulvovaginais de repetição, incómodo e dor durante a prática desportiva ou com o uso de roupa apertada. Os cuidados de higiene perineal e a não utilização de roupa apertada podem ser suficientes para ultrapassar o incómodo. A correção cirúrgica deve reservar-se para os casos de persistência dos sintomas, recomendando-se que a correção seja preferencialmente efetuada após os 18 anos.

Raramente podem ocorrer alterações a nível do hímen. O diagnóstico de hímen imperfurado, que pode ser feito após o nascimento, realiza-se mais frequentemente na adolescência. Pode provocar dor pélvica cíclica com duração de vários meses, associado a sintomas urinários. O tratamento cirúrgico consiste numa incisão em estrela a nível do hímen e drenagem sob anestesia geral. Outras alteraçõe como hímen cribiforme ou septado são variantes do normal que podem necessitar de correção cirúrgica.

Geralmente as tumefações vulvares surgem nas glândulas de Bartholin que consistem em duas glândulas ovalares com 0,5-0,8 cm diâmetro, cujos canais excretores abrem no vestíbulo vulvar entre o hímen e os pequenos lábios. Os quistos da glândula de Bartholin resultam da obstrução da porção distal do canal excretor da glândula. Os abcessos podem resultar da infeção de um quisto pré-existente ou de uma infeção primária da glândula, habitualmente devido a uma infeção polimicrobiana. Na maior parte dos casos o tratamento cirúrgico está indicado em associação com antibioterapia nos casos de abcessos.

Os corrimentos vaginais podem ter diversas etiologias na adolescente, incluindo infeções sexualmente transmissíveis (IST). As vulvovaginites podem ser provocadas pela Candidíase genital, infeção fúngica relativamente comum, Vaginose bacteriana - caracterizada pela substituição da flora vaginal normal por bactérias anaeróbias e a Tricomoníase vaginal causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis. Podem ainda ocorrer úlceras vulvares cuja causa mais frequente é o Herpes genital (65-80% dos casos). O vírus herpes simplex 2 (HSV2) é o agente etiológico mais comum. Em 89% dos casos de infeção por HSV2, há recorrência das lesões. As vesículas agrupadas que evoluem para pústulas e úlceras de base eritematosa são dolorosas e por vezes acompanhadas de prurido.

O vírus do papiloma humano (HPV) pode provocar lesões verrucosas a nível vulvar associadas a prurido. O tratamento consiste na aplicação tópica de substâncias medicamentosas ou na terapia com laser. A dermatite alérgica: provocada por reação alérgica a corantes, fragâncias, cremes de aplicação local, látex e esperma, podem provocar ardor e prurido vulvar.

As adolescentes com queixas sugestivas de vulvovaginites, úlceras vulvares e dermatites devem ser orientadas para uma consulta para observação e tratamento de acordo com a causa.

Autoria: Dra. Helena B. Leite,
Consulta de Ginecologia da Infância e Adolescência da Maternidade Bissaya Barreto.

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